Podemos prevenir as lesões no basquete ?
Nas últimas semanas uma série de lesões no basquete provocaram preocupação de jogadores e comissões técnicas. Como exemplos podemos citar: Paulão (luxação de tornozelo), Cris Bosh (fratura de nariz), Renato (pé), Dedé (pé), Marcelinho(ferimento cabeça), Mineiro (lesão dentária), Tony (mão), Bogut (luxação de cotovelo e fratura de punho), Murilo (tornozelo) e Alex (lesão de cruzado anterior joelho).
As lesões estão diretamente relacionadas à frequência e à intensidade dos treinos e jogos, sendo que a incidência é calculada por 1000 horas de prática. Na NBA com 82 jogos em cinco meses a chance de uma atleta ficar afastado por uma lesão é maior que 50%, ou seja, pelo menos metade dos atletas serão afetados por alguma lesão podendo ficar afastados por períodos variados. O piso de jogo é um fator importante: quanto melhor o piso menor a incidência de lesões, em números absolutos a maioria das lesões ocorrem nos treinos, principalmente nas categorias de base. O uso adequado do tênis de basquete diminui a incidência de lesões.
Como será que podemos prevení-las ? Existem dois tipos de lesões: aquelas que ocorrem por contato, ou seja, o choque contra o adversário e as lesões sem contato, em lances de desequilíbrio.
Todo conjunto do treinamento envolvendo a parte técnica e a preparação física associada aos exercícios preventivos (musculação, core training e propriocepção) programados de maneira coordenada podem auxiliar na prevenção das lesões sem contato. A literatura científica comprova com vários estudos que quanto maior o treinamento relacionado ao condicionamento físico (fortalecimento muscular, exercícios proprioceptivos e core training) ocorre uma diminuição das lesões sem contato, principalmente nas atletas do sexo feminino, nas regiões do joelho e tornozelo.
As lesões de contato envolvem muitas vezes situações inesperadas, choque contra o adversário. Na última Copa América (2009) 25% das lesões ocorreram na região da cabeça (ferimentos e contusões), todas ligadas a trauma diretos contra o adversário. O uso de protetores bucais diminuem a incidência de lesões dentárias. Os protetores de nariz, óculos e as lentes de contato, não são usados rotineiramente e sua ação preventiva é questionável. O uso de cotoveleiras, coxeiras, faixas torácicas podem diminuir a gravidade das lesões contusionais (traumas diretos de baixa energia). O uso de joelheiras não diminuem o índice de lesões no joelho e muitas vezes afetam a performance na prática do basquete.
Diminuir a incidência das lesões de tornozelo é uma ação primordial no basquete. As lesões do tornozelo são as lesões mais comuns e são as que respondem melhor às ações preventivas (fortalecimento muscular, exercícios proprioceptivos e core training) associadas ao uso de proteção local, tais como tornozeleiras e botas de esparadrapo. Indicamos atualmente o uso de proteção para o tornozelo, visto que vários estudos científicos demonstram a diminuição da intensidade e da freqüência das lesões em atletas amadores ou profissionais.
Com o aumento do número de treinos e das competições internacionais em 2010 das seleções brasileiras de base e adulto o departamento de ciência e performance da CBB está procurando desenvolver cada vez mais medidas preventivas por meio da ação multidisciplinar. No fim do ano passado realizamos um congresso para discutir estes temas e as ações em conjunto da comissão técnica, preparadores físicos, médicos do esporte, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos são um desafio constante e diário, sendo a única forma de prevenção e diminuição das incidências das lesões.
Conclusão: 1- montagem da equipe – tenha jogadores com qualidade para reposição, dentro do possível, 2- equipe multiprofissional, 3- quadras adequadas, 4- treinos periodizados, 5- Para os atletas: uso de protetores de tornozelo, ênfase no condicionamento físico 6- todos ligados .
Boas Cestas