► CADASTRO

Cadastre-se e receba as últimas do basquete por e-mail.

BASQUETE - Ponto de vista

Ponto de Vista de Marco Antonio Aga

01/04/2013 14:38 h

         

Estrangeiros

Quero começar este artigo lembrando aos meus leitores que tradicionalmente até a década de 90 o basquete masculino brasileiro se fazia presente em Jogos Olímpicos e também disputava os campeonatos mundiais medindo forças com as principais potências do basquete mundial. Aliás, Brasil e Estados Unidos são os únicos países que estiveram presentes em todas as edições de campeonatos mundiais. Quero lembrar também que tudo era feito exclusivamente por técnicos e jogadores brasileiros. Cito isso para ressaltar a importância que muitos técnicos brasileiros tiveram para fazer de nosso basquete masculino uma referência internacional. Nossos técnicos olímpicos são: Arno Frank (1936), Moacyr Daiuto (1948), Manoel Pitanga (1952), Mário Amâncio (1956), Kanela (1960 - 1972), Renato Brito Cunha (1964 – 1968 - 1984), Claudio Mortari (1980), Ary Vidal (1988 – 1996) e José Medalha (1992). Após 16 anos ausentes retornamos a uma Olimpíada, com um adendo, apresentando um basquete altamente competitivo e muito bem dirigido pelo técnico argentino Ruben Magnano.

Nos últimos Jogos Olímpicos, disputados em Londres, conquistamos o 5º lugar, ficando atrás apenas de Estados Unidos, Espanha, Rússia e Argentina. Em campeonatos mundiais nossa melhor classificação nos últimos vinte anos foi no Mundial da Argentina (5º lugar), competição que tive o prazer de assistir pessoalmente. Nossos técnicos em campeonatos mundiais são: Moacyr Daiuto (1950), Kanela (1954 – 1959 – 1963 – 1967 – 1970), Edson Bispo (1974), Ary Vidal (1978 – 1986), Edvar Simões (1982), Hélio Rubens (1990 – 1998 – 2002), Ênio Vecchi (1994), Lula Ferreira (2006) e Ruben Magnano (2010).

Traçando um paralelo com outros técnicos estrangeiros que recentemente estiveram à frente de nossas seleções masculina e feminina, o único que realmente vem tendo um papel relevante e importante para que nosso basquete volte a ser uma força mundial é sem dúvida nenhuma o técnico Ruben Magnano. Entendo que a CBB acertou em cheio em sua contratação, mas acredito também que a mudança de filosofia de trabalho e de gestão implantada em nossas seleções também contribuiu bastante para que o basquete brasileiro voltasse a ter reconhecimento internacional. História e elogios à parte, novamente quero reiterar minha discordância no que diz respeito ao aumento de jogadores estrangeiros no basquete brasileiro. Sempre tivemos no máximo dois jogadores por equipe, recentemente, numa iniciativa da LNB, este número passou pra três, que no meu entendimento não trouxe nenhum beneficio pratico ou técnico ao nosso basquete, muito pelo contrário, serviu apenas para diminuir ainda mais o espaço para que jovens atletas brasileiros busquem um lugar nos principais times do país.

Tenho ido assistir ou visto pela televisão alguns jogos do NBB, noto que alguns técnicos ficam reféns de alguns trios de jogadores estrangeiros que fazem parte de suas equipes, deixando claro que a preocupação da maioria deles é na busca de números e estatísticas individuais, feitos que são cobrados normalmente por seus agentes, deixando em segundo plano qualquer filosofia, tática ou jogo coletivo implantado pelo técnico do time. No meu entendimento, esta norma de três estrangeiros por equipe é boa para o basquete de outros países da América do Sul, não para o Brasil, que tem muita tradição e uma história recheada de grandes conquistas, tanto no basquete nacional ou internacional.

Como em nosso país tudo vira moda, recentemente alguns clubes também resolveram “importar” alguns técnicos, diminuindo sensivelmente o espaço para que bons técnicos brasileiros possam se firmar no mercado ou executar o seu trabalho. Tenho sérias dúvidas que esses técnicos estrangeiros deixarão algum legado positivo ao nosso basquete. Não vou citar nomes, mas dos que trabalharam aqui nos últimos anos, o único que realmente trouxe mudanças positivas ao basquete brasileiro foi o técnico Ruben Magnano. Alguns que estão lendo este artigo podem achar que estou sendo bairrista ou fazendo defesa em causa própria, mas pode ter certeza que não, apenas acho que nossos técnicos deveriam ser mais valorizados por nossos dirigentes. Percebo que muitos se ressentem de não ter o reconhecimento justo e merecido. Termino, deixando claro que não estou aqui fazendo nenhuma crítica ou observação maldosa contra atletas ou técnicos estrangeiros, apenas registro minha opinião, deixando que o tempo se encarregue em demonstrar se estou certo ou errado.

Marco Antonio Aga

Equipe Databasket
databasket@databasket.com

Publicidade