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BASQUETE - Noticias

Entrevista com o técnico Bruno Savignani

13/09/2017 19:37 h

         

O goiano Bruno Savignani (foto), de 35 anos (27 de março de 1982), é um dos técnicos da nova geração nacional, que esteve como a Seleção Brasileira na Copa América (FIBA AmeriCup), como um dos assistentes de Cesar Guidetti, depois de realizar um grande trabalho no comando do UniCEUB/Cartão BRB/Brasília, equipe que, infelizmente, anunciou recentemente que não jogará a próxima edição do Novo Basquete Brasil (NBB).

Nesta entrevista exclusiva, concedida ao Databasket, Savignani falou de vários assuntos importantes. Confira....

Databasket: Como foi a experiência de servir a Seleção Brasileira Adulta, como assistente, na disputa da Copa América?

Bruno Savignani: Em primeiro lugar, foi uma honra muito grande, é o desejo de todo mundo que vive do esporte, principalmente no basquete, defender a Seleção Brasileira; creio que seja o ápice, então, fiquei muito feliz e me senti bastante honrado. A experiência foi boa, apesar de o resultado não ter sido aquele que gostaríamos e pretendíamos, mas como experiência foi muito válido, com toda a garotada e um primeiro contato que tive, pessoalmente falando, como assistente também foi muito proveitoso. Com certeza, vou tirar muitas lições para dar sequência a minha carreira.

Databasket: O resultado obtido pelo selecionado nacional demonstra o nosso real estágio em relação ao cenário internacional?

Bruno Savignani: No que diz respeito ao resultado, como já citei, não foi que queríamos e pretendíamos, mas acho que não mostra o real estágio nosso em relação ao cenário internacional. Fomos com uma equipe jovem, que contou com alguns atletas mais experientes, mas a grande maioria estava vestindo pela primeira vez a camisa da Seleção Brasileira Adulta e jogamos um torneio de altíssimo nível, como equipes fortes, México e Porto Rico, além da anfitriã Colômbia. Na realidade, isso demonstra que precisamos dar mais rodagem para essa garotada nova, que tem muito talento, mas precisa de experiência internacional.

Databasket: O quanto à suspensão imposta pela FIBA, devido gestão catastrófica do antigo presidente (Carlos Nunes), atrapalhou a seleção neste retorno as competições internacionais?

Bruno Savignani: Sem dúvida alguma, o basquete como um todo pagou por uma má administração e por situações que todos nós já sabemos. A não participação em outros torneios e a incerteza se a suspensão chegaria ao fim, certamente, não ajudou e o reflexo disso foi que tivemos um período mais curto para fazer a preparação. Mas, tenho certeza, que com o empenho da nova gestão conseguiremos caminhar para frente, pois eles foram super profissionais e fizeram de tudo, nos oferecendo do bom e do melhor para que tivéssemos uma condição boa de trabalho. As coisas vão mudar!

Databasket: Como você analisa o empenho da atual gestão, comandada pelo ex-jogador Guy Peixoto Jr, para recolocar o basquete nacional no caminho das vitórias?

Bruno Savignani: Analiso como extremamente positivo, o presidente Guy Peixoto Jr, ao lado dos demais integrantes da diretoria, vem demonstrando extrema capacidade de lidar com problemas, pois desde que assumiu teve que tratar de várias adversidades, algumas que já se tinha conhecimento e outras que não. Mas, está fazendo um trabalho muito bom e tenho a certeza que as consequências disso serão os frutos que as nossas seleções irão colher, na base também, e que o basquete como um todo também vai colher. Não tenho dúvida nenhuma que, com essa dedicação, empenho e honrando a camisa como eles estão fazendo (isso precisava acontecer), voltaremos ao caminho das vitórias, uma vez que temos totais condições para isso.

DDatabasket: E, sobre o fim da equipe de Brasília, qual é o seu sentimento maior?

Bruno Savignani: O sentimento é de perda, estou aqui há sete anos e iria para o oitavo, criando uma relação de carinho mesmo, não só pela cidade, como pelo time também, tão representativo no cenário nacional, que conquistou muitos títulos locais e internacionais. O sentimento é mesmo de perda e devagarzinho a ficha vai caindo, ainda não me adaptei com a situação atual, mas espero que a cidade de Brasília, em breve, possa ter uma equipe no cenário nacional.

Databasket: Dá para pensar em um breve retorno ou essa parada pode ser definitiva?

Bruno Savignani: Acredito que sim, a cidade de Brasília abraçou o basquete há alguns anos, a população adora este esporte, que sempre foi o número um. Espero que retorne em breve e, pelo que tenho conversado com as pessoas envolvidas, que sempre lutaram pelo basquete, acho que seguirão brigando para que tenhamos logo uma equipe na elite nacional.

Databasket: Um acontecimento como esse é muito mais prejudicial para o técnico, ainda mais tendo uma carreira relativamente nova?

Bruno Savignani: A perda é grande para todos, não só para mim, como o técnico, mas também para os jogadores. É uma praça a menos, uma equipe forte como o Brasília fechando as portas representa um local a menos de trabalho. E, principalmente, para o basquete em si, não é porque estou aqui, que levanto esta bandeira, se fosse qualquer outra equipe de expressão, todos nós teríamos que se lamentar. Para o técnico, é óbvio que a situação é um pouco mais complexa, já que são poucas as vagas e as oportunidades de trabalho no mercado nacional são menores, mas espero que logo possa estar surgindo uma nova oportunidade para que eu me recoloque no mercado.

Databasket: Falta uma política dos nossos órgãos de classe – voltados ao basquete – para resguardar o técnico de situações indesejadas, como o fim de uma equipe abruptamente ou uma demissão em meio a uma competição?

Bruno Savignani: Vem melhorando bastante. A Associação de Treinadores, através do Carlão e do Chuí, tem feito um bom trabalho, atuando fortemente para a classe se unir cada vez mais. Não podemos responsabilizá-los pela situação, é uma questão bem mais complexa. Os nossos dirigentes, principalmente os dos clubes, precisam tentar de uma maneira ou de outra, depender cada vez menos do poder público e viver dos patrocínios para poder bancar os times. A partir daí, teremos uma condição melhor de trabalho para todo mundo e, principalmente, no que diz respeito ao fim das equipes.

Databasket: A profissionalização também dos dirigentes dos clubes seria um bom começo para as necessárias mudanças no nosso basquete?

Bruno Savignani: Na própria pergunta já diz, além do que já respondi na questão anterior. Os dirigentes têm entendido isso e estão buscando cada vez mais se especializar, fazendo cursos de gestão e de outras áreas. Mas, passa por aí mesmo, é uma profissionalização geral do nosso esporte, em todas as áreas, reunindo todos os profissionais envolvidos, ficando mais consolidado.

Databasket: Quais são os seus planos para o futuro?

Bruno Savignani: Sigo estudando bastante, tenho aproveitado o tempo livre para ler diversos livros, tenho assistido muitos vídeos e venho acompanhando aos jogos do EuroBasket. Pretendo fazer algum intercâmbio internacional para aprofundar mais os conhecimentos, mas ainda não decidi para onde, contudo, sei que será na Europa. Aproveitar esse tempo para me qualificar mais e aguardar uma oportunidade de algum clube para que eu possa estar me recolocando no mercado e fazer aquilo que mais gosto, que é estar no dia-a-dia na quadra, com os jogadores, preparando a equipe.

Databasket: Como você se define como treinador, ou seja, quais são as suas características, quem foram os seus inspiradores e como você define o seu estilo?

Bruno Savignani: Defino-me como um cara bem enérgico, que despende muita energia no que faz, não só no trabalho diário (treinamentos), mas principalmente nos jogos, me dedico ‘1000%’ no que faço e sou um cara competitivo por natureza. Estou no basquete há mais de 20 anos, então, eu tenho essa característica pessoal. Meus inspiradores, obviamente, são: Vidal, o primeiro cara que trabalhei junto e passei muito tempo com ele; depois tive a oportunidade de trabalhar com o Sergio Hernandez e aprendi bastante, em especial, na parte técnica. Mas, de uma forma geral, para citar alguns treinadores que procuro me inspirar e aprender, sempre vendo jogos das equipes deles, acompanhando a forma como eles lidam com a coisa, gosto muito do Željko Obradović e Gregg Popovich. Como uma terceira pessoa ainda, cito o Messina. São técnicos que estão no top do mundo, por isso, procuro aprender muito com eles.

Databasket: Como você faz para se manter atualizado e buscar sempre crescimento na carreira?

Bruno Savignani: Já falei um pouco sobre isso, eu procuro sempre assistir basquete, com um olhar mais clínico e muitas vezes pego jogos europeus na internet e vou fazer o ‘scout’, como se estivesse preparando uma partida contra equipe adversária. Assisto parando e voltando, vendo as variações táticas apresentadas; sempre que posso, nas férias, procuro fazer viagens para estudo de basquete, já fui a Argentina, Turquia e Itália, enfim, estou sempre buscando oportunidades, fazendo as clínicas que acontecem no Brasil ou mesmo estudando através de vídeos na internet, que tem bastante material de boa qualidade. É mais ou menos por aí. Tenho lido bastante sobre liderança e gestão de pessoas, que é um tema bem atual e importante para a carreira do técnico, pois além da capacidade técnica e do entendimento do jogo, o treinador precisa estar cada vez mais atento a formas de liderar um grupo e lidar com pessoas.

Databasket: A união, tão decantada pelos nossos dirigentes, está mesmo presente no basquete brasileiro?

Bruno Savignani: A união do basquete brasileiro melhorou bastante, a mentalidade vem mudando e podemos melhorar muito mais. Ainda não chegamos ao ideal, mas estamos evoluindo. Com o trabalho e a dedicação de todo mundo, realmente, fazendo o que é melhor para o basquete, creio que conseguiremos, um dia, chegar a níveis ideais; hoje eu acho que ainda temos muito a crescer. Sou um cara extremamente otimista por natureza e tenho certeza que vamos crescer.

Databasket: Mensagem final.

Bruno Savignani: Precisamos cada vez mais fazer o bem, para colhermos sempre o bem. Temos que procurar ter a mente a aberta, sempre ajudar ao máximo as pessoas que estão ao nosso redor, estar disposto a trocar informações e experiências, que acredito ser o grande segredo da coisa, para todo mundo e o esporte evoluir. Se buscamos resultados positivos, precisamos estar sempre com a mente aberta para receber e doar informação. É isso que passo como mensagem para todo mundo!

Foto: Divulgação/LNB

Frederico Batalha
fredericobatalha@uol.com.br

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