| 02-10-2002 |
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| Pergunta: |
Marcel, eu realmente quero fazer uma programação de treinamento mais séria e, principalmente, atualizada. Sei que fica difícil me ajudar por vc não ser meu técnico, ou ao menos ter me visto jogar ou treinar num período de tempo. Assim, pensei em te perguntar o seguinte: como vc se orientaria se estivesse com 21 anos hoje? O que treinaria mais que não treinou antes? A que daria mais importância nos seus treinamentos? Enfim, que espécie de programação vc traria para si próprio, tanto técnica, quanto física e de nutrição? Os atletas das suas equipes tomavam suplementos vitamínicos - por favor, não estou falando de bombas, pelo amor de Deus - como parte da preparação física? Vc é formado em educação física? Se não,acha essencial ser formado em ed. física para ser técnico de basquete? Lendo a coluna do Melchiades Filho de ontem, com relação ao Anderson Varejão jogando de ala na Europa, me ocorreu a pergunta: será que no Brasil não temos, generalizadamente falando, visão para anteciparmos que a "subida" dele para a ala aconteceria, ou será que a carência de jogadores altos com maior potencial de crescimento técnico nos obriga a aprisionarmos esta espécie de jogador a brigar nos garrafões? E a CBB? Vc acha que vai haver mudanças? E o MJ? Por que a NBA precisa mais dele que ele dela? O fiasco no Mundial tem a ver com isso ou ele é o resquício saudável de uma geração atualmente corrompida pela arrogância e presunção de gente que ganha muito antes de ter mostrado que merece? Um abraço.
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| Resposta: |
Francisco, o caminho não é fácil para ninguém, principalmente para os que lutam todos os dias. Tivesse eu 21 anos e desejasse uma carreira no basquete, a primeira coisa que faria seira procurar um nutricionista que me orientasse na melhor dieta possível para as atividades que iria realizar. Se a minha equipe treinasse em dois períodos, digamos às 10:30 horas e às 18:00 horas, a primeira coisa que os meus companheiros veriam quando chegassem ao local dos treinamentos seria o meu treinamento individual de arremessos. Chegassem esses companheiros mais cedo, teriam tido a oportunidade de me ver treinando as minhas habilidades básicas como dribles e passes (na parede do ginásio). Após o treino matinal da equipe, enquanto meus companheiros fossem correndo para casa, eu estaria fazendo uma sessão de lances-livres e alongamento. Logo após o descanso da tarde, eu voltaria mais cedo ao ginásio para uma sessão intensa de musculação. Treinaria com o time, mas ficaria arremessando até o último companheiro deixar o ginásio. Chegando em casa, descansaria para o outro dia de treino. Quem sabe, após um ou dois anos desse regime de treinamento, eu começaria a receber os dividendos desse sacrifício. Se é que podemos qualificar com esse nome o jogo de basquete. Os atletas de minha equipe eram orientados a tomar muito cuidado com a alimentação, o que nem sempre era possível. Tive um jogador que almoçava "cebolitos" antes dos jogos, pois não tinha condições para se alimentar de outra coisa. Como uma pessoa assim pode arcar com as despesas financeiras para tomar suplementos vitamínicos? Não , não sou formado em Educação Física. Acrdito que a formação do técnico de basquete tenha que incluir algumas das matérias estudadas no curso de graduação em Educação Física, mas o principal é o estudo do jogo de basquete, suas táticas e seu treinamento, o que deveria ser aprendidos com outros técnicos em cursos oficiais. Quanto ao Anderson, muito antes do início do Mundial, sugeri a quem de direito a mudança de posição desse atleta. Não fui ouvido. Agora apareceu um treinador que teve essa coragem. Espero que o Anderson melhore muito o seu jogo atuando um pouco mais longe da cesta. Só a CBB poderá dizer se haverá mudanças. Eu continuarei na minha luta para mudar a cara do basquete brasileiro. MJ é um mito. A NBA precisa urgentemente de mitos. Creio que a nova geração de jogadores da NBA não ligue a míníma para competições fora do âmbito da NBA. O time que foi o fracasso do Mundial era do segundo escalão de jogadores. Abraços.
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| 01-10-2002 |
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| Pergunta: |
Marcel,como meu amigo Rafael que sempre escreve aqui no seu site, eu também sou um jogador baixo , tenho apenas 1,70m e já provei varias vezes que o basquete não é um esporte para gigantes , mas sim para quem consegue pensar e para quem tem abilidade,como você já deve ter visto em meu curriculum ganhei até um campeonato de enterradas, e então gostaria de saber porque os treinadores de grandes clubes não dão oportunidades para estes jogadores e se quer lhe dão uma chance de mostrarem seus valores, sabendo que temos grandes jogadores que até na NBA já estiveram , como Muggsy Boggues e Spud Web jogadores com pouco mais de 1,65 que você já deve ter ouvido falar. Um abraço!!!Alex...
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| Resposta: |
Alex, muito bem! Espero sinceramente que alguém lhe dê uma oportunidade para mostrar o seu talento. Admiro a sua perseverança. Abraços.
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| 01-10-2002 |
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| Pergunta: |
Olá Marcel acompanhei pelo noticiário a estréia do Marcelinho e Guilherme no Rimini da Itália e gostaria de saber qual dos dois tem maior chance de se dar bem. Por que por um lado Guilherme tem por trás dele um belo contrato com o treviso, o que lhe dá tranquilidade , sem contar sua experiencia anterior na espanha nao é verdade. Já o Marcelinho é um caso serio para mim. O Acompanho desde os seus tempos do Corinthians dso Sul e para mim ele é um craque mas acho que demorou demais para ecplodir se é que isso é possivel? Que que o professor Marcel acha? E marcel quais sao as maiores diferencas entre o Basquete itlaiano e espanhol? Abraços do seu fa Fábio Balassiano P.S. Vendo o jogo do Oscar domingo deu uma saudade amigo marcel...
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| Resposta: |
Fábio, quando a gente joga em um clube do exterior, a coisa que menos temos é tranquilidade. O jogador que defende uma equipe desse nível é exigido ao máximo. Marcelinho atuou contundido, pois teve uma entorse no tornozelo dias antes da partida de domingo p.p. Acredito que ele tenha grande futuro no basquete italiano. A diferença deste para o basquete espanhol, é que o basquete praticado na Itália é mais truncado, físico e um pouco previsível. Já os espanhóis são mais soltos, não dependem tanto da força física dos jogadores e possuem mais criatividade que os italianos. Abraços.
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| 30-09-2002 |
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| Pergunta: |
Marcel ,agora estou colhendo os frutos do que me falou sobre um jogador baixinho .Que ele tinha que ser rapido ,quero dizer que melhorei também nos chutes de 3 pontos .Bom quero lhe perguntar se vc tem mais algumas dicas para mim?
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| Resposta: |
Rafael, fico contente que eu tenha lhe servido de ajuda. Vc poderia treinar um pouco mais as suas habilidades básicas.
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| 30-09-2002 |
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| Pergunta: |
Gostaria de saber porque a ESPN-Brasil não transmitiu a primeira rodada do Campeonato Carioca de basquete,e quando vão começar as tranmissões? Um comentário;Porque o basquete paulista sempre tem mais atenção da mídia?
Obridado.
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| Resposta: |
Thiago, creio que o basquete carioca não esteja na grade de programação da ESPN Brasil, pelo menos por enquanto. O basquete paulista tem tanta atenção quanto o basquete carioca. Aliás, nos últimos anos, o basquete carioca foi muito mais evidenciado pela mídia do que o basquete paulista. Disponha.
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| 30-09-2002 |
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| Pergunta: |
O QUE É ALATERAL NO BASQUETE?
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| Resposta: |
Bruno, eu tenho idéia do que seja ala ou lateral no basquete, mas alateral eu nunca ouvi falar. Vc poderia me dizer onde ouviu esse termo?
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| 29-09-2002 |
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| Pergunta: |
Eu queria saber quais os tipos de arremessos do basquete é para uma pesqiesa da escola muito obrigada.
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| Resposta: |
Alessandra, temos a bandeja, o lance-livre e o jump, que são mais praticados atualmente. Ainda fazem parte dos arremessos, o gancho e o arremesso parado, que são mais raros hoje em dia. Cada uma dessas modalidades de arremesso apresenta variações. Nas bandejas, temos, por exemplo, as enterradas. O gancho pode ser também um "meio gancho", Disponha.
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| 28-09-2002 |
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| Pergunta: |
Marcel, o Marcelinho não havia sido contratado por um time da primeira divisão (após sua boa atuação no mundial) ? Hoje li que ele estrearia no mesmo time do Guilherme, e aí ? O nosso melhor jogador não tem condições de atuar na primeira divisão italiana ? Vc ainda joga ? Sei que vc ainda é novo,mas vc participou daquele campeonato em Fortaleza ? Quem, na sua opinião, é o melhor comentarista da tv brasileira? abraços.
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| Resposta: |
Fernando, quem havia sido contrato pela Benetton de Treviso foi o Guilherme, que também está no Rimini como o Marcelinho. A diferença entre a primeira e a segunda divisão no basquete italiano é muito pequena. Tenho certeza de que tanto o Marcelinho como o próprio Guilherme terão muito sucesso na Europa. Não jogo mais, nem tenho condições físicas para faze-lo. Se vc está falando de basquete, creio que todos têm back ground para comentar os jogos na TV. É uma atitude pouco ética distinguir um do outro dessa maneira. Cada um tem suas características próprias e merecem a nossa admiração e agradecimento por isso. Abraços.
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| 28-09-2002 |
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| Pergunta: |
Marcel, gostaria que você me explicasse, bem minuciosamente, como funciona a sua proposta de treinamento de 10 h por dia. Na nossa última conversa por e-mail, você explicou que o atleta deveria treinar primeiro suas habilidades básicas, depois o físico e depois treinar para o grande jogo e em seu tempo restante, apenas descansar. Gostaria de mais detalhes em todos os sentidos e também seria muito grato se você pudesse me passar alguma orientação - sei que isto é muito particular do indivíduo, de atleta para atleta - no sentido de preparação física específica para o basquete, nutrição, etc..Ficaria muito agradecido. E a seleção feminina? O que vc achou? Os problemas delas são iguais aos nossos (masculino)ou não? Quais são eles? E o MJ? O que você achou? Um abraço.
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| Resposta: |
Francisco, acredito que vc deseje abraçar a minha cruzada em prol do treinamento no basquete brasileiro. Obrigado e espero poder lhe ajudar no que for possível. Vc parece querer um plano diário de treinamento, mas isso eu só poderia lhe fornecer se conhecesse as suas necessidades e carências principais como jogador de basquete. Somente o convívio diário entre o treinador e o jogador pode proporcionar tais detalhes. Não se esqueça de que o treinador deve estar sempre a frente na condução do progresso do jogador. A seleção feminina não teve o resultado esperado. Espero que os envolvidos cheguem a uma conclusão plausível e retomem o sucesso que sempre caracterizou o basquete feminino nos últimos anos. Seguramente alguns problemas foram iguais aos do basquete masculino, outros não. Não gostaria de tocar nesses problemas agora. Quanto ao MJ, creio que a NBA precise mais dele do que ele da NBA. Abraços.
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| 28-09-2002 |
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| Pergunta: |
Como vai Marcel,beleza??Olha sobre tudo o que está se discutindo sobre a seleção Brasileira,a unica coisa que tá certo é que algumas coisas precisam mudar, concordo com vc sobre a nossa maneira de treinar, acho que não só isto,mas outras coisas precisam ser feitas. Eu gostaria de saber de vc o que precisa mudar dentro do nosso país,além dos treinamentos????O que precisa mudar nos nossos campeonatos,etc??Uma coisa que gostaria de dizer,é que cada um tem a sua opinião,por isso que fica muito dificil saber quem tá com a formula certa,mas acho que pessoas como vc,que já foi jogador e de grande nível,e é tambem treinador,e outros tecnicos e pessoas com credibilidade devem ser ouvidos. A Cbb,e principalmente a comissão tecnica tem que ter a humildade de saber que erraram,e de ouvir conselhos,sugestões de que entende. Eu sou apenas um apaixonado pelo basquete,como muitos,e tambem tenho minhas opiniões.Não concordo com as pessoas que dizem que tem jogadores que só jogam bem no Brasil,e quando vai disputar Mundial ou competições internacionais não jogam nada,para mim ou cara é bom ou não é,o exemplo do Helinho que nesse mundial deixou muito a desejar,mas um jogador que consegue ir tão bem no jogos da amizade,e ser eleito para a seleção do campeonato,e nesse jogos tinha,USA,quase a mesma equipe que tava no mundial,(apesar da vergonha que foi,é uma boa equipe), Australia,Argentina,Mexico que ganhou da Argentina antes do Mundia,e Nova Zelandia quarta no Mundial.,esse é só um exemplo.Nos sabemos que teve jogadores que não renderam,mas já provaram que tem condições.Tem a Cbb,descobrir o que aconteceu, o que precisa melhorar,e precisa muito. Não concordo que a nossa liga não é forte,eu cito por exemplo o Nene,saiu direto da nossa liga para o Draftt,sem passar por universitario,melhorou sem duvida o seu fisico, que é o que falta mais trabalhar no Brasil, tecnicamente melhorou treinando sei lá três meses,agora ele não foi para lá sem saber jogar basquete,ele foi treinou jogou com bons jogadores,e é claro ele cresce,apredendo coisas que não sabe ,experiencia ,etc.A mesma coisa com o Jeferson,que era reserva no Coc,e só treinado lá conseguiu uma vaguinha para p´re temporada.Se for por tecnica não é só dois que poderia tar na Nba,talvez uns dez sem exagero.Todo mundo sabe que não basta ser bom para tar na Nba,tem que ter alguem para te colocar lá. Então Marcel,o que falta aqui dentro?UMAclinica entre tecnicos,para cada um dar a sua opinião,para haver a troca de ideias,informações.Clinica de arbitros,para se discutir criterios para usar aqui na nossa liga,criterios que são usados lá fora,mais estrangeiros de nivel,para intersonalizar mais o nosso campeonato,experiencias para jogar contra jogadores que já rodaram o mundo inteiro,jogar muito mais jogos internacionais,tambem dentro do nosso país. Tentar massificar o nosso esporte por todo Brasil,através das escolas,clubes.Dar mais estrutura, finaceira, para os nossos clubes,que cedem,que colocam os jogadores na seleção,e nos estamos vendo a situação dos clubes tanto no masculino como no feminino,etc. Um abraço.
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| Resposta: |
Dileto, valeu o desabafo. Não quero polemizar com vc, pois vejo que vc tem boas intenções no que diz. Apenas gostaria de deixar claro o que chamo de grande jogo. O grande jogo acontece apenas algumas vezes na temporada. Pode ser uma final de Sul-Americano, alguns jogos da Copa América, quase todos os jogos do torneio pré-olímpico, do Mundial e das Olimpíadas. Sem contar estas últimas, pelo motivo que todos sabemos, temos falhado constante e regularmente nesses "grandes jogos". Vc pode até citar alguns resultados positivos, mas a última vez que ganhamos um grande jogo foi no Pan de 87. Por favor, pesquise quando foi a última vez que ganhamos da Iugoslávia ou da Rússia em Mundiais ou Olimpíadas. Temos talento? É claro que sim. Nenê, Jefferson, Guilherme, Marcelinho, Baby e muitos outros estão aí fora mostrando isso. Os casos de Nenê e Jefferson, que treinaram apenas dois ou três meses fora dos padrões brasileiros e estão na NBA evidenciam os nossos problemas internos. Aqui dentro, desde as categorias menores até os veteranos, jogamos para ganhar e não para aprender o jogo. Os iugoslavos, por exemplo, jogam torneios escolares até o juvenil, ficam em um time iugoslavo até os 22 anos e atualmente "povoam" a Europa e a NBA com seus talentos. O que fazem até os 17 ou 18 anos? Aprendem a jogar basquete, pois sabem que se esse aprendizado for realizado de maneira correta, vencerão sempre. Nós temos que pressionar os juízes para vencer o campeonato, pois por aqui, vencer o campeonato significa ser bom técnico, bom jogador ou bom dirigente. Aliás, o nível técnico do treinador brasileiro é medido apenas e tão somente pelos títulos que conquistam. Ensinar a marcar com as mãos, a praticar o anti-jogo, fazer política com os dirigentes, pedir tempo para mandar ?torpedos? pela TV e pressionar os juízes, são as armas do vencedor no basquete brasileiro. Quando pressionar os juízes não conta para a vitória, o anti-jogo é punido, marcar com as mãos é falta automática, a esfera de atuação dos dirigentes é outra e a TV não conta - fatos que acontecem no grande jogo ? fica faltando o ensinamento e treinamento do jogo de basquete. Nessa hora culpamos a nossa arbitragem como uma das causas do nosso insucesso, o sistema político que beneficia os clubes e não as escolas, os dirigentes que não dão o devido apoio, a falta de intercâmbio com as grandes potências, o campeonato extenuante, enfim tudo menos o principal: ensinar a jogar e não a ganhar. Isso eu chamo de pragmatismo cínico. Ensinar o jogo, ou como interpreta-lo corretamente é mais difícil e não traz frutos (vitórias) imediatas. Por favor, cheque também qual foi o último treinador brasileiro de sucesso (interno) que foi vitorioso num grande jogo. Aposto que vc vai chegar no Kanela ou no Daiuto. Não sei se estou errado, mas o meu querido Ary Vidal, por exemplo, ganhou seu primeiro campeonato brasileiro apenas nos anos 90. Antes disso, somente resultados positivos na seleção brasileira: Bronze no Mundial de 78, Ouro no Pan de 87, alguns primeiros lugares nos Sul-Americanos, Copas Américas, pré-olímpicos, etc. A base de tudo está no treinamento. Não quero dizer que não treinamos. Tem técnico que treina até demais. Só que treina para ganhar e não para ensinar o jogo aos seus atletas. Isto, insisto, acontece em todos os níveis. Não se esqueça, voltando aos eslavos, que a Iugoslávia foi quase destruída pela guerra várias vezes, mas eles continuam vencendo o grande jogo. Por que? Acredito que eles ensinem seus atletas a jogar basquete e não a vencer as partidas a qualquer custo, principalmente quando esse custo é o próprio basquete. Abraços.
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